" Somos o que repetidamente fazemos. A excelência, portanto, não é um feito, mas sim um hábito."
-Aristóteles

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Confissão de um professor - Os acidentes são previsíveis e imprevisíveis: podemos diminuí-los!

23/07/2008
Autor: Edson Franco (Tenente Coronel do Corpo de Bombeiro MG)

Naquela época lecionava a disciplina de Direção Defensiva há mais de seis anos no CENTEC e no Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. A realidade, a experiência e a vivência, infelizmente e ao mesmo tempo felizmente, auxiliavam-me na construção de exemplos (verídicos) factíveis, no intuito de melhor ilustrar e instruir os formadores de condutores, responsáveis pela educação, formação e habilitação dos motoristas mineiros. E como eram muitos os exemplos! Compartilho em sala de aula com os alunos uma situação vivenciada, na busca de questionar a melhor solução para o caso, bem como, da necessidade da padronização da forma de acionamento dos equipamentos de segurança e da sua localização, além da conscientização do motorista sobre suas reais condições físicas e psíquicas na condução do veículo automotor. Meu veículo possui buzina na chave de seta, como em alguns modelos comercializados no país. Portanto o automatismo do ato de buzinar se deu do lado esquerdo do volante. Pois bem, planejei uma viagem com meu irmão e minha mãe à querida terra natal Bom Despacho. Como meu irmão havia adquirido um veículo novo e, no intuito de apreciar a novidade e ao mesmo tempo descansá-lo, solicitei-o a condução do automóvel durante a viagem de ida. Coloquei o cinto de segurança de três pontos de apoio. Ajustei os retrovisores externos, internos e o banco. Verifiquei onde se encontravam os controles, inclusive a buzina, que no modelo, o acionamento de dava no centro do volante. Buzinei, buzinei, buzinei... Testando o equipamento e a minha consciência na localização do instrumento de acionamento da buzina. Em viagem, já deslocava pela Rodovia BR262, depois de Nova Serrana, próximo a Novais, quando, de repente, visualizei um caminhão carregado com tijolos invadindo a contramão direcional e vindo de encontro ao automóvel que conduzia. O que fazer? No momento, não acreditando, tentei acionar a buzina, mas qual a minha surpresa? Não a encontrava: eu um professor de Direção Defensiva! Como? Simples: o automatismo adquirido era levar a mão à esquerda do volante, não ao centro dele! Mas onde estava a buzina? Rebuscando minhas aulas, nos arquivos recônditos do subconsciente, lembrei-me (a) da soma das velocidades ao se chocarem dois veículos frontalmente; (b) de jamais sair para a contramão, pois o sonolento pode acordar e a reação dele é retomar para a pista da direita; (c) lembrei-me das leis da física, da massa e tudo mais... Silenciosamente e sem alardes aos ocupantes reduzi a velocidade do automóvel a quase zero; desloquei-me para o acostamento, pois se houvesse um encontro dos veículos, que fosse um choque ou um abalroamento na lateral esquerda do carro que conduzia e não uma colisão frontal entre o caminhão carregado e o automóvel; dessa maneira a transferência de forças seria menor e causaria, no máximo, uma queda da rodovia, que era elevada cerca de um metro e meio da zona de domínio à direita. Naquele instante meu irmão questionou-me: “- Oh Edson, o que está havendo!? Por que está parando?” Concomitantemente visualizou o caminhão dizendo: “- E aquele caminhão ali? Buzina! Buzina!” Eu, calmamente respondi: “- Estou tentando buzinar, mas não encontro a buzina!” “- É no volante! É no volante!” Respondeu ele rapidamente. Nesse ínterim minha mãe viu o caminhão e gritou um sonoro “Ave Maria!” Fazendo com que o motorista do caminhão acordasse e retornasse para sua mão direcional. Não encontrei a buzina a tempo! Aproveitei a posição do automóvel e o parei. Não precisa relatar como estavam minhas pernas, não é mesmo? Sim: trêmulas e bambas. Semelhante a candidatos a carteira de habilitação frente ao examinador na primeira tentativa! Faltavam cerca de 30 quilômetros para chegarmos em Bom Despacho. Passei a condução do automóvel ao meu irmão e tentei retornar ao estado normal. Não pudemos relatar ao motorista dorminhoco do caminhão, pois já havia se distanciado. Lembrava-me apenas de agradecer a Deus por estarmos bem! Relato este episódio aos meus alunos em sala de aula no intuito de dar-lhes um exemplo prático da transferência de forças; da necessidade de se estar acostumado ao veículo que conduz - automatismos corretos; do conhecimento de saber o que fazer no quase acidente, ultrapassando a “decoreba” dos manuais de prevenção de acidentes: “reconhecer os riscos, saber o que fazer e reagir a tempo!” Da diminuição das conseqüências danosas do acidente. Relacionamos com os outros no dia-a-dia do trânsito, como estamos dirigindo? Arrebitados? Alcoolizados? Conscientes? Lúcidos? Capacitados? Habilitados? E você, como se tem comportado no trânsito? O que tem feito para diminuir o risco de acidente e melhorar a fluidez nas vias? Lembre-se: O trânsito depende de todos nós! Nós somos responsáveis pelas estradas, não só o governo.

 


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